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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Pé-de-Passarim II

A videira virou pé-de-passarim...
Mas não é que deu uva também?
Que de verdes ficaram roxas
E de sua doçura testemunharam os passarim.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pé de Passarim

Um passarim fez ninho em minha videira,
Mas suas uvas nem fazem menção de maturar...

Ei, passarim! 'Ce vai bicar minhas uvas mesmo verdes?

O passarim botou um ovo no ninho da videira
E mesmo que as uvas não maturem, vai ter valido a pena
Ver minha videira virar pé de passarim.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sobre o Belo

Eis o que há de mais belo:
O musgo crescido nas rachaduras,
A sujeira acumulada sob as unhas.

A flor que cresce no asfalto é ainda flor,
pálida reminiscência de uma poesia doente.

Poético é o conflito, concreto partido.
Belo é o arbitrário deteriorado:
A vingança.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Monólito

O vento sopra, a água corre
passando pelo monólito

Imobilidade. Será?

O mundo gira, o monólito erode
Em formas que só o tempo pode dar.

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(O que me lembra, meio às avessas:
"O pensamento é escravo da vida e a vida é joguete do tempo. E o tempo, testemunha do universo inteiro, deve parar".)

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Poema fresquinho. Resultado do diálogo de um capricorniano com uma geminiana.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ontologia Poética: Benj'a-mim I e II

Benj'a-mim I

Cacoetes...

Deusa, quase me esqueço!...
O estilhaço colorido do vitreau!

Coisas guardadas em caixas...

Gênese?

Críptico, meu ser repousava na estrutura
quando a pedra apresentou objeção...

Resignificonfiguração.

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Benj'a-mim II

Forjafalar, transgredindo-se sempre!
Sem jamais sanguerramar ao ser insubinsistente.

Forjafalar sempre uma entidarte, qual dEUs ou ser-eia!

N'uma apresentificação do solidesintegrado,
forjafalo nuclesquizintomático desta farceria.

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Nada como uma aula sobre os ensaios críticos de Baudelaire para inspirar a poesia em nossos corações. Ou o deficit de atenção.
De todo modo, são dois poemas de psicografia peripatética, do jeito que Éris manda.
São os primeiros a apresentar o estilo adequado (neológico) do blog d'O Núcleo e por isso aparecem postados lá. Na verdade, o segundo é uma espécie de manifesto auto-crítico/auto-irônico para aquele blog e pra mim.
Por fim, 'forjafalar' e 'entidarte' são, daqui em diante, termos técnicos no meu cânone.